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Atualizado em 15/07/2008

SOLITUDE AETURNUS
Alone
Free Mind – nac.
Vale lembrar duas coisas aqui. Primeira, este é o ultimo disco de estúdio da banda, o primeiro em 8 anos! Afinal, seu antecessor, Adagio, saiu no já longínquo ano de 1998. O porquê de tanto tempo, não sabemos. Segundo, não desaprendi a contar não. 98 + 8 = 2006. Isso mesmo, Alone é de 2006 e saiu agora no Brasil via Free Mind Records. Este disco foi gravado e solto antes de seu vocalista, Robert Lowe, ir para o Candlemass. Neste ínterim, a banda ainda lançaria o DVD Hour Of Despair (já resenhado aqui, veja na seção de DVDs importados) gravado e lançado em 2007, cujo set teve como base Alone. Sem dúvida, o melhor disco da banda. Apesar dos primeiros trabalhos serem clássicos e pioneiros de um estilo, é inegável o amadurecimento e conhecimento de causa adquirido pela banda ao longo dos anos, fazendo um disco que soa atual e de raiz ao mesmo tempo. A funérea capa feita por Travis Smith dá a verdadeira sensação de angustia, desespero e melancolia que á Alone. Vamos ao disco, que apesar de 2 anos e Robert já estar no Candlemass, Alone soa mais atual do que nunca. Scent of Death abre tanto o CD quando o DVD Hour Of Despair é já é clássico absoluto da banda. Seguindo, Waiting For The Light, um pouco mais rápida, e a próxima, para compensar, Blessed Be The Dead, é uma das faixas mais lentas que já ouvi na minha vida. A bateria tem uma batida a cada vários segundos de espaço. Angustiante, calafriante, desesperadora, como todo bom Doom deve ser. O vocal de Robert é o grande destaque aqui, ele nasceu para cantar Doom. Ele tem uma alta dose de talento para interpretar sua música como poucos, soando de maneira natural, como se, ele ao cantar em seus tons baixos e sussurrados mortais e seus agudos em notas não tão altas de forma assustadora, fosse a coisa mais normal do mundo, como se ele estivesse conversando. Sim, pois muitos vocais forçam em estúdio para fazer estes tons e ao vivo, acaba ficando uma lástima. Como já os assisti ao vivo, sei que o cara é bom mesmo! Interessante notar que, apesar do disco todo ser quase inteiramente lento, há imensas mudanças de velocidade e alternâncias de andamento no mesmo, mostrando que precisa ter talento para tocar Doom e criatividade, para não ficar monótono. Sightless é outra das mais “rápidas” e outra das que constam no DVD Hour OF Despair. Em Burning, a banda mostra mais peso e Robert Lowe mostra ainda sua versatilidade, quando é para cantar mais agressivo e de forma mais rasgada, ótima faixa! Cabe destacar em Is There, uma das faixas mais pegajosas da banda, o grande trabalho de guitarra do fundador John Perez, já que até agora só falamos do vocal. O cara é o Tony Iommi do Doom, pois é um grande criador de riffs. Que nem Tony Martin (ex-vocalista do Black Sabbath) disse uma vez que nos ensaios, Tony Iommi parecia trazer uma sacola com dezenas de riffs para se usar alguns nas músicas para um próximo disco, o mesmo podemos dizer de Mr. Perez. Esta faixa também consta no DVD citado (quem já tem o DVD precisa ter este CD também, para entender como o que os caras criam em estúdio, reproduzem na boa ao vivo). Tomorrows Dead surge como uma das faixas mais dramáticas da carreira deles e de toda a história do Doom, com riffs (mais um show de Perez), com timbragem e notas que remetem ao começo do estilo, no final dos anos 80. e Essence of Black, a nona e última faixa (para ficar ainda mais cabalístico) encerra de forma magistral, lembrando muito o Black Sabbath da fase Tony Martin (TYR e Headless Cross). Cabe destacar ainda o baterista Steve Nichols, ou voce acha que para tocar Doom bem lento é fácil? No DVD, ao assistir você pode achar moleza, mas para tocar Doom realmente não é necessário ter tanta força nem tanta técnica, mas é necessário ser o mais preciso possível (se o cara errar uma batida, a banda toca vai errar) e também talento para inventar timbragens para enriquecer a música e não apenas “cumprir tabela”. Enfim, este disco mostra de fato que o Solitude Aeturnus está entre as três maiores bandas de Doom de todos os tempos, em termos de qualidade, importância, influência e discografia, ao lado de Candlemass e Novembers Doom. Posso estar cometendo alguma injustiça, mas é a minha opinião. JCB – 9,5

Formação:
Robert Lowe - Vocals
John Perez - Guitars
Steve Moseley - Guitars
Steve Nichols - Drums
James Martin - Bass

Faixas:

1 - Scent of Death
2 - Waiting for the Light
3 - Blessed Be the Dead
4 - Sightless
5 - Upon Within
6 - Burning
7 - Is There
8 - Tomorrows Dead
9 - Essence of Black


NOVERMBERS DOOM 
The Novella Reservoir 
The End – imp.           
Mais um petardo desta grande banda de Doom! A cada disco, eles se superam! Este é o sétimo áudio que eles gravam e o mais rápido de todos! Mesmo nestas faixas rápidas, todos os elementos de Doom estão lá: vocais arrastados, urrados mas tétricos, guitarras, guitarras com rifferama insana, cozinha precisa, sem muita técnica, mas com afinações bem graves, sejam nas peles da bateria, seja no baixo, no talo. Assim prova as faixas Rain, Drown The Inland Mere e The Voice Of Failure! Tétricas, furiosas, com passagens lentas sim, alternados no meio da rapidaria, soando mais mortais ainda. Os backins vocals nos refrãos são limpos, e graves, quase dissonantes, ao melhor estilo europeu, com uma pitada de Dark, para deixar sua música mais sombria ainda! Nos momentos mais lentos e tradicionais, o peso é absurdo, a gravidade das notas que ecoam dos instrumentos também, como They Were Left To Die (os vocais sussurrados desta são assustadores, de arrepira!) e The Novella Reservoir. Dominate The Human Strain tem riffs que remetem ao Thrash/Black, num verdadeiro assalto sonoro, hipnóticos! Encerrando, Leaving This, suave como um prelúdio, densa e hipnótica como um mantra! O Novembers Doom talvez seja a banda mais regular que eu conheça, sempre fazendo álbuns excelentes, sempre melhorando e evoluindo, sem deixar de lado suas raízes! Álbum do ano, sem dúvida! JCB – 10
CANDLEMASS
King Of The GreyIslands
Nuclear Blast – nac.
Depois da saída do carismático, mas problemático Messiah Marcolin, um dos ícones de Doom Metal, todos pensaram que seria o fim do Candlemass. Ledo engano, já que a banda recrutou rapidamente em seu lugar Robert Lowe que, claro, não é Mr. Marcolin, nem em voz, nem em aparência, nem em carisma, mas tem história no estilo, pois canta no Solitude Aeturnus, uma das principais bandas do estilo. King Of The Grey Islands possui uma capa cadavérica, gelada e sombria e sombria, mas não tanto como Candlemass de 2005. King Of The Grey Islands é como se fosse uma continuação do álbum Candlemass, pois soa moderno e atual, menos calafriante, mas mais sombrio, mais lento e mais pesado, visto que Candlemass era quase puro Heavy Tradicional. King Of The Grey Islands é um grande disco, mas impossível citar destaques. Não há nenhuma faixa que vá ficar em sua cabeça depois de ouvi-lo, mas o disco todo! Como se fosse uma única faixa. Mas não são todas as músicas iguais não! Elas têm mudança de andamento, riffs e velocidade, mas não tão bruscas. Me arrisco a dizer que dos discos recentes da banda (da década de 90 inteira até hoje), é o que mais resgata as suas raízes! Ultra-recomendado!
JCB – 8,5
AMARNA SKY
Rising Heresy
Anubis Music – nac.
Esta sim, podemos dizer que se trata de uma banda faraônica! Metal egípcio! Doom Metal lento, com levadas múmicas! E feito aqui no Brasil, com produção digna de primeiro mundo e composições idem! De todas as bandas que ouvi até hoje que retratem o Egito, dentro do Metal e do Dark, talvez seja essa a que retrate mais fielmente (claro, sendo uma banda de Rock em si, e não de música árabe nem de dança do ventre). Devastador que nem as areias do deserto do Saara, claustrofobiante como estar preso dentro de uma pirâmide, assustador quando uma múmia saindo de um sarcófago! Viaje com Rising Heresy lendo o livro O Egito Secreto de Paul Brunton. Ainda conta com participações especiais de Erol Unala (ex-Celtic Frost e Apollyon Sun (banda de Tom Grabriel Warrior, mentor do Hellhammer e Celtic Frost)) e Karl Sanders (Nile)! Aliás, esqueça a sonoridade do Nile, pois de Death e de Brutal não tem nada Rising Heresy. Deleite-se com este petardo! JCB – 9,0

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