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RU – Como a banda foi formada?
Victor Schmidlin: Eu e o Cícero éramos vizinhos em Curitiba. Em 1991 começamos a tocar guitarra e em 1993 montamos uma banda com um colega meu de colégio.
João Koerner: E lá por 1994 eu fui indicado para assumir o baixo nessa banda por um professor de música que também tinha como alunos o Victor e o Cícero.
Cícero Baggio: Naquela época éramos todos adolescentes fãs do Iron Maiden e queríamos não só tocar covers, mas compor, gravar, fazer shows. E as coisas começaram a dar certo – fomos até o Rio gravar nossa primeira demo-tape, assinamos com gravadora do Sul, fizemos vários shows. Mas a partir de 1997 tivemos algumas mudanças na formação porque o som começou a pender mais para o progressivo.
Gui Nogueira: E quando finalmente acertamos o time, vieram as faculdades, as namoradas, os estágios e trabalhos. Em 1999, resolvemos encerrar a banda em razão dos projetos particulares de cada um, mas mantivemos forte a amizade.
João Koerner: Depois, em 2007, mesmo com cada um de nós vivendo em uma cidade diferente, decidimos reunir a banda novamente com a ideia de gravar nosso material antigo e algumas composições novas. Queríamos apenas materializar aquele disco que não conseguimos na primeira fase do grupo. Porém, nossa gravação acabou se transformando em um álbum conceitual de 73 minutos!
RU – Fale dos trabalhos lançados.
Gui Nogueira: Em agosto de 2009, de forma totalmente independente, lançamos o nosso primeiro álbum, “The Elephant Truth”, título que foi inspirado no poema The Blind men and the Elephant, de John Godfrey Saxe.
Victor Schmidlin: O poema mostra que cada um percebe a realidade de uma forma subjetiva e luta para provar o todo por fragmentos. Cientistas e religiosos, esquerda e direita na política, e por aí vai. Dualidades que geram desavenças, até guerras. E a ideia é que todos somos cegos e pequenos perante tudo. A Verdade Elefante acaba sendo algo que é infinito e ao mesmo tempo representa um mundo dentro de todos nós. E o álbum trata exatamente dessa jornada do personagem central para entender o exterior que acaba o auxiliando em seu autoconhecimento.
Gui Nogueira: O disco foi gravado a partir de 2007 no home studio do Victor em Brasília, contando com a participação do Alírio Netto, vocalista do Khallice, que no álbum representa a consciência do personagem principal.
Cícero Baggio: A volta da banda tinha esse objetivo de registrar nossa história em CD e ser marcante como estreia. Atualizamos materiais antigos e mesclamos com muita coisa nova. E das muitas ideias com temática próxima, surgiu um disco conceitual, uma ópera rock.
João Koerner: E bacana que valeu a pena, pois o material tem sido bem visto pelo público e pela crítica especializada. O feedback que temos recebido tem nos empolgado bastante.
RU – Fale da cena de sua cidade.
Cícero Baggio: Na década de 90, quando todos ainda morávamos em Curitiba, nos envolvemos bastante com a cena local. Conseguimos fazer shows e participar de festivais. O problema era que o público não parecia muito disposto a ouvir o material próprio da banda. Havia então uma cena de bandas-tributo muito forte, o que prejudicava muito os grupos que se dispunham a compor algo seu.
João Koerner: Tanto é que a maioria das bandas com as quais dividimos o palco naquela época nem existem mais. Hoje, porém, estamos felizes por constatar que aquela rejeição toda não existe mais e que há espaço para as bandas locais divulgar a sua música.
Victor Schmidlin: Eu moro em Brasília desde 2001. Em 2004, ajudei a fundar a Dynahead com o Caio Duarte, e as pessoas me pareceram sempre muito receptivas nos shows que participei até 2006. Bandas como Slug, Abohent, Khallice e Dark Avenger construíram uma cena metálica respeitável na capital federal.
RU – Fale sobre planos no futuro.
Gui Nogueira: Nossa vontade é desenvolver ainda mais o projeto iniciado com o lançamento do “The Elephant Truth”, que, embora ainda não tenha sido formalmente lançado por uma gravadora, já está sendo distribuído e comercializado online no mundo todo pela norte-americana Digmetalworld (www.digmetalworld.com).
João Koerner: E agora em 2010, vamos ter a oportunidade de levar a música do disco para o palco, o que ajudará ainda mais na divulgação e consolidação do nome da banda. Para essa empreitada, o Luís Requião, que já foi baterista da Greensleeves em 1997, assume agora as baquetas de forma definitiva, em substituição ao Marlon Marquis, que participou conosco do “The Elephant Truth”, mas no momento está dedicado a outros projetos musicais em Florianópolis.
Victor Schmidlin: também já estamos em fase de composição de material para um novo disco, o segundo da Greensleeves, o qual planejamos lançar em 2011.
RU – O final é seu!
Cícero Baggio: gostaríamos de agradecer a oportunidade pela entrevista e manifestar a nossa satisfação pelo trabalho que o Rock Underground tem feito na divulgação do metal nacional.
Gui Nogueira: para quem se interessar pelo nosso trabalho, seguem os contatos: www.myspace.com/greensleevesbrazil e www.greensleeves.com.br. |
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