Atualizado em 02/05/2008

FRESNO
Redenção
Arsenal – nac.
Redenção é o quarto álbum do grupo gaúcho Fresno e é o início de uma nova fase sonora, principalmente em Redenção, Desde Quando Você Se Foi e Passado, que trazem elementos eletrônicos e influências Indie para o som da banda. As bandas que pegaram carona na onda e moda Emo, mesmo não sendo Emo, como o Fresno nunca foi, estão fazendo de tudo para se afastar deste estigma. Os fãs mais antigos vão torcer o nariz ao ouvir a banda trocar o Hardcore por algo eletrônico, ficando mais acessível, mais Pop, mais comercial ainda e mais Pop Rock. Mas as vezes, algumas bandas precisam trilhar esse caminho para angariarem mais fãs. O quarteto gaúcho é Fresno, formado por Lucas Silveira (vocais), Gustavo Mantovani (guitarra), Bruno Teixeira (baixo) e Pedro Cupertino (bateria), e Redenção foi produzido por Rick Bonadio, o repertório traz ao todo 13 faixas com destaques para Contas Vencidas e Polo, do CD MTV ao Vivo: 5 Bandas de Rock, e uma regravação de Alguém Que Te Faz Sorrir, do álbum anterior Ciano. Uma Música é o primeiro single. Opine você mesmo se prefere a fase antiga ou a atual. LT – 7,5

Faixas:
1. Sobre Todas as Coisas que Eu...
2. Não Quero Lembrar
3. Uma Música
4. Contas Vencidas
5. Desde Quando Você se Foi
6. Redenção
7. Alguém que Te Faz Sorrir
8. Passado
9. Goodbye
10. Europa
11. Você Perdeu de Novo
12. Polo
13. Milonga

MESTRE DUKA
Quando Acontece
ST2 – nac.
A banda Mestre Duka em Dezembro de 2002, nasceu misturando influências de Pop/Rock e Soul Music. Ivan Sader (voz), Kiko Castro (Guitarra) e Douglas Polonis (Bateria) transmitem muita energia e carisma, através de uma enorme interação com público do início ao fim. Agora é a vez do novo CD Quando Acontece que possui 11 composições próprias e participação especial em uma das faixas de Yves Passarel (guitarrista da banda Capital Inicial, ex-Viper e e Pir, ainda no Viper). Um ponto importante nesse novo trabalho é que o disco foi prensado no novo formato SMD e possui, portanto, um preço final reduzido, combatendo a pirataria. O CD que é no formato promo (envelope de papelão com o CD dentro) já vem com o preço estampado na capa prensado de fábrica a R$5,00. O lançamento do disco aconteceu no dia 13 de Novembro de 2007 e teve a participação de Yves Passarell no show e do DJ Maestro Billy. O video clipe da nova música de trabalho Quando Acontece foi produzido por Roberto Vilela e recebeu a participação da atriz Nathália Rodrigues. O som deles não é muito a praia de nossa revista, mas se você gosta de outras tendências fora do Rock, ao menos, tem uma banda honesta e de qualidade. LT – 7,5

Faixas:
1- Sol de Néon
2- Quando Acontece
3- Imaginação
4- As Horas
5- Efeito Colateral (Part. Yves Passarell - Sony BMG)
6- Vícios
7- Essa é Minha Vida
8- Mais Uma Canção
9- De Olhos Fechados
10- Um Dia de Cada Vez
11- Tudo É Igual

PITTY
{Des}concerto: ao Vivo  
Deck Disc – nac.
Agora sai da frente que vou falar! Normalmente, não sou eu quem faz resenhas de discos de Rock nacional, geralmente ou é a Adriana ou o Leandro. Mas esse aqui eu fiz questão de fazer. Não pelo calibre e importância da cantora e sua banda, mas por tanto absurdo que tenho lido a respeito dela e desse disco em questão. Claro, é normal a gente fazer uma pesquisa sobre o artista antes de uma entrevista e também do disco, embora nossa opinião seja nossa mesma. E o que falaram de baboseira da Pitty e de {Des}concerto: ao Vivo não foi brincadeira. Desde resenhas sérias de veículos “sérios” musicais até essa onda nefasta de blogs. Não consigo distinguir nem lembrar quem falou o que, pois o nível foi tão baixos, que 90% dos sites musicais estão iguais, ou abaixo dos níveis dos blogs. Mas lembro do que falaram, de forma quase que orquestrada. Vejam os absurdos: muitos disseram que (no DVD deste show) ela faz muitas caras e bocas. Amigo, que mulher cantora, artista e atriz não faz caras e bocas? Se você me disse uma, lhe agradeço. E hoje em dia, que mulher não faz caras e bocas? Hoje, a mulherada só que saber quem é mais sensual do que a outra. Vá numa praça de alimentação de um shopping qualquer e perceberá o festival de caras e bocas para ver quem é a mais sensual comendo arroz e feijão ou bebendo Coca-cola de canudinho. Depois, quase todos eles compararam Pitty com Ivete Sangalo. Por que a comparação? Por que as duas são baianas? Pois ambas pertencem a universos totalmente distintos. Diga-se de passagem, têm várias casas noturnas e cidade como Campos do Jordão, onde está proibida apresentações dela, pois em quase todas tem arrastão, assalto e briga. Com certeza, nos shows da Pitty não acontecem isso. Será por isso que Ivete fez aquele DVD no Maracanã? Até parece que ela tem cacife pra lotar estádios em todos os shows. Por que só aquele então? Ninguém raciona nem questiona no Brasil? Por que da comparação? Por que Ivete bem como outras axezeiras do porte de Claudia Leite passam o dia na clinica estética se esforçando para ficarem bonitas e Pitty não liga muito pra isso? Por que elas sorriem o tempo todo, sua música é alegre e a da Pitty não? Claro que não! Primeiro, o momento mundial que vivemos não tem graça nenhuma. Ninguém quer ver, mas quando em 2012 São Paulo parar e quando acabar a água em 2020 e o petróleo em 2025, e acabarem as praias e os pólos Norte e Sul, vai ter gente chorando e reclamando pra Deus, para onde foram as suas rezas e se esquecendo que estas mesmas pessoas maltrataram animais, sujaram ruas, bueiros e rios e poluíram o ar. Segundo, a música de Pitty (assim como 99% das bandas de Rock) é feita para as pessoas refletirem e pensarem. Outras pérolas: dizem que preferem ela nos tempos do Inkoma do que agora, pois era mais Underground. Mas alguém conhecia ela no tempo de sua ex-banda? O próprio João Gordo disse isso para ela. E se eu estivesse no lugar dela responderia: o Ratos de Porão era bem melhor do que agora e você era mais engraçado antes de virar estrela da MTV. Outras implicâncias com a cantora, que o cenário do show é simples e que se surpreendem com o furor de seus fãs. Quem fã não é assim quando assiste seu artista predileto, ainda mais adolescentes? Entre tantas outras implicâncias com este disco e com a Pitty, nem lembro mais todas, seria por que ela não usa sandália? Por que ela está sempre de preto? Por que ela quase não ri? Mas ela é palhaça agora? Qual é! Tanta bandinha nova surgindo com vocalistas loiras todas produzidas na Le Hu que mal cantam, são tão louvadas! Aqui, é a banda fazendo o seu show puro e habitual, com muito peso, distorção, energia, punch e interatividade entre palco e público! Isso é o que importa! JCB – 8,5

Faixas:
1. Anacrônico
2. Admirável Chip Novo
3. Semana que Vem
4. Déjà Vu
5. Brinquedo Torto
6. Memórias
7. Na Sua Estante
8. Malditos Cromossomos
9. De Você
10. No Escuro
11. Equalize
12. Pulsos
13. Ignorin´U
14. A Saidera
15. I Wanna Be
16. Seu Mestre Mandou
17. Máscara

NAÇÃO ZUMBI
Fome De Tudo
Deck Disc – nac*
Esta banda virou um ícone de um estilo, mostrando a riqueza da verdadeira regionalidade da música brasileira, antenada de forma cosmopolita, mostrando o talento do músico mesclar a raiz e o “muderno”. O Saudoso Chico Science e a sua até então Nação Zumbi foi a ponta de lança do Mangue Bit/Beat que marcou a década de 90, mas teve sua trajetória original abortada pelo acidente que matou Chico em 1997. Ela foi ponta de lança de um movimento musical pernambucano que se apresentou ao Brasil com o manifesto Caranguejos com cérebro da autoria do jornalista Renato L e do líder do grupo mundo livre s/a Fred Zero Quatro. Conectar a estética do Mangue com os bits dos computadores foi o caminho apontado em conciliar cultura com tecnologia avançada e, ao mesmo tempo, introduzir o caranguejo como uma espécie de vírus antipasteurização no pop rock mundial. Sem Chico, Jorge du Peixe trocou sua postura discreta de percussionista pelo centro do palco, honrando o legado de seu amigo de infância e mantendo a estatura da Nação Zumbi com o auxílio de Lucio Maia e dos tambores de Pupilo, Toca Ogam, Gilmar Bola 8 e Marquinhos. Desde então a banda só vem crescendo em importância, respeitada no Brasil e no exterior. Neste final de semana eles se apresentaram com os Paralamas do Sucesso no festival Ceará Music, num encontro que já rolou noutras vezes, incluindo numa turnê européia conjunta em 1996, ainda com Chico. O sétimo disco da Nação Zumbi, "Fome de tudo" sai este mês pela gravadora Deckdisc com 12 faixas inéditas compostas pela própria banda com produção de Mario Caldato (Beastie Boys, Super Furry Animals, Planet Hemp, Marcelo D2). E a banda segue sozinha, liderando a cena desse tipo de Brazilian World Music. Mas e o Mundo Livre S/A de Fred 04? Está a alguns quilômetros e voltas atrás. PR – 7,0

Faixas:
1 - Bossa Nostra
2 - Infeste
3 - Carnaval
4 - Inferno (part. esp.: Céu)
5 - Nascedouro
6 - Onde Tenho Que Ir
7 - Assustado (part. esp.: Money Mark)
8 - Fome de Tudo
9 - Toda Surdez Será Castigada (part. esp.: Junio Barreto)
10 - A Culpa
11 - Originais do Sonho
12 - No Olimpo

CHARLIE BROWN JR.
Ritmo, Ritual & Responsa
EMI – nac*
A banda já é tradicional na cena do chamado “Rock Nacional”. Sim, quando se cita as principais bandas do segmento, todos falam Legião Urbana, Capital Inicial, Titãs, Raimundos e Charlie Brown Jr. Hoje, eles não fazem mais tanto furor quanto quando surgiram, não estão mais supervisionados pelo mago Rick Bonadio e da formação original, só restou Chorão. Mas, em vez do mesmo “chorar” leite derramado, preferiu arregaçar as mangas e continuar na ativa, mais do que nunca com o seu grupo renovado. O resultado está em Ritmo, Ritual & Responsa, que soa mais maduro, menos bombástico, mais legal, menos ingênuo e com uma proposta musical que já apresenta seu estilo próprio, sem chupar tanto Bad Religion, Rage Against The Machine e Helmet, como no começo de carreira. Com uma década de estrada, este é o 9º álbum da carreira, o segundo álbum com a atual formação e mostra que o grupo está musicalmente coeso e muito mais seguro. Ritmo, Ritual & Responsa é longo, com mais de uma hora de duração e oficialmente é a trilha sonora do filme “O Magnata”, escrito pelo vocalista e líder Chorão. Sem Medo da Escuridão tem um riff pesado e vocal feito pelo rapper carioca MV Bill. O disco varia faixas quase Metal, com partes de música eletrônica. As letras ainda falam de amor, skate e críticas sociais, de forma mais direta e mais “adulta”. Os Emos do Forfun aparecem em O Universo a Nosso Favor, num momentoEmocore mais comercial e o destaque fica para Vida de Magnata que começa com uma introdução de Marcelo Nova, o lendário vocalista e líder da legendária banda Punk baiana Camisa de Vênus, e conta com os vocais de João Gordo, dos Ratos de Porão, nos vocais. Muitos achavam que Chorão era apenas uma figura, a cara de uma molecada da época, que falava o que queria, bonitinho, e que o sucesso da banda era mesmo seu antigo produtor e seus competentes ex-membros (que começaram sua carreira musical como músicos de Thrash Metal). Passados dois discos sem tudo isso, quem pensou assim se enganou (inclusive eu) e mostra que Chorão, é o Charlie Brown Jr. em essência. LT – 8,5

Faixas:
1. Pontes Indestrutíveis
2. O que Ela Gosta é de Barriga
3. Não Viva em Vão
4. Ritmo Ritual e Responsa
5. Be Myself
6. Uma Criança com Seu Olhar
7. Liberdade é Tudo - (Instrumental)
8. O Universo a Nosso Favor
9. Ninguém Entende Você
10. Quando Tudo Aconteceu - (Instrumental)
11. Beco sem Saída
12. Sem Medo da Escuridão - Part. Esp.: Mv Bill
13. Nua, Linda e Inigualável
14. Vida de Magnata - Part. Esp.: João Gordo
15. Que Espécie de Vermes São Vocês?
16. Buscando um Novo Rumo - (Instrumental)
17. Vivendo a Vida Numa Louca Viagem
18. Curva de Hill
19. Direto e Reto Sempre
20. Skateboard Amor Eterno
21. Café Fundation - (Instrumental)
22. Paranormal

CPM22
Cidade Cinza
Arsenal – nac*
Após 2 anos sem lançar material inédito o CPM 22 está de volta, e o melhor, com um álbum que imediatamente nos remete aos primórdios da banda, época em que o grupo estourou no underground com o disco independente “A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum”. Os fãs mais novos e desavisados não devem saber disso, mas o CPM 22 foi essencial para a evolução da cena nacional, pois a banda foi uma das primeiras a assinar com uma gravadora grande, fazendo com que na época muitos torcessem o nariz e chamassem o conjunto de “traidor do movimento”. Pois bem, uma coisa eu nunca tirei da cabeça, se as bandas internacionais podem fazer isso, por que nós brasileiros, habitantes do terceiro mundo, não podemos? É, cada um tem sua opinião, mas o certo é que ao ouvir este CD muitos terão que rever seus conceitos. Quando uma banda está em uma gravadora grande a tendência é que a cada novo álbum ela aprimore a sua sonoridade para que se torne um produto vendável e digerível para o público e mídia mainstream. Em “Cidade Cinza” o CPM 22 esquece essa teoria, e põe em prática o que sabe fazer melhor, hardcore melódico sem frescuras. Tá certo, o disco contém sim algumas músicas popzinhas, caso de “Nossa Música”, “Ano Que Vem Talvez” e a faixa que dá titulo ao álbum, “Cidade Cinza”, esta inclusive uma das mais bacanas do CD, composta de vocais estilo dueto e letra genial em homenagem à cidade de São Paulo. Já as demais faixas são “porrada na cara”, com algumas inclusive percorrendo caminhos até então nunca explorados pela banda, como uma influência punk 80’s na música “Tempestade de Facas” e uma passagem metal na décima primeira faixa, “Maldita Herança”. Além destas, vale destacar as músicas “1000 Motivos” e “Escolhas Provas e Promessas”, estas por serem as faixas que melhor remetem à fase independente da banda. Aliás, mesmo hoje estando no mainstream o CPM 22 sempre esteve com um pé no underground, tanto que o CD traz participações de nomes conhecidos do cenário independente, como o de Carlos Dias (Againe, Polara), o qual ajudou escrevendo algumas letras deste disco. Um disco mais cool e cold, onde a banda parece ser tirada do topo pelo NXZero. PR – 7,0

Faixas:
1. Estranho no Espelho
2. Nossa Música
3. Ano que Vem Talvez
4. Escolha, Provas e Promessas
5. Tempestade de Facas
6. 1000 Motivos
7. Depois de Horas
8. Mais Rápido que as Lágrimas
9. Reais Amigos
10. Tempo
11. Maldita Herança
12. Cidade Cinza

NENHUM DE NÓS
Nenhum De Nós A Céu Aberto
Independente – nac.
Bem, é fácil e difícil ao mesmo tempo, resenhar um disco de uma banda com longa carreira e tradicional. Isso se acentua ainda mais, se for um disco ao vivo ou uma coletânea. Se forem os dois juntos, piorou! É o caso deste Nenhum De Nós A Céu Aberto, que é um CD ao vivo que é uma coletânea. Em tempo: são poucos discos ao vivo que são assim, pois 90% deles, claro, têm vários clássicos e sucessos de qualquer banda, mas geralmente tem uma ênfase maior em um disco que estejam promovendo. Isso se faz, pois já que a gravadora incentiva o lançamento destes “lives”, então que nele tenha músicas do disco que estão promovendo no momento. Como em dado momento da sua carreira, o Nenhum De Nós parece livre deste tipo de pressão, por isso, temos todos os clássicos e maiores sucessos, além de algumas faixas mais lado B também. A banda gaúcha comemora 20 anos de carreira, e apresenta duas canções inéditas compostas recentemente, Desejo e Santa Felicidade, e também apresenta novos arranjos, predominantemente elétricos, para seus principais sucessos como Camila, Camila, Paz E Amor, O Astronauta De Mármore, Você Vai Lembrar De Mim, Amanhã Ou Depois e Vou Deixar Que Você Se Vá, entre outros. Este disco é uma forma de mostrar músicas antigas em um formato novo, mais atual. Veja o track list deste grande lançamento e divirta-se! ADL – 9,0

Track list:
1. Dança do Tempo
2. Camila Camila
3. Você Vai Lembrar de Mim
4. Santa Felicidade
5. Amanhã ou Depois
6. Julho de 83
7. Obsessão
8. Eu Não Entendo
9. Diga a Ela
10. Sobre o Tempo
11. Paraíso
12. Da Janela
13. Extraño
14. Desejo
15. Igual a Ti
16. Vou Deixar que Você se Vá
17. Paz e Amor
18. O Astronauta de Mármore
19. Santa Felicidade - Faixa Bônus

THE WANTEDS
Anthem Of A Dream
Independente – nac.
Com essa onda de reviver os anos 60 e 70 (e até 50) muitas bandas ao redor do mundo têm surgido começando com “The”. O Brasil não fica atrás, já que, também produz e exporta grupos do gênero. Este The Wanteds é um dos achados. Não sei como nenhum programa de televisão não os chamou para fazer uma matéria, pois eles chupam os (The) Beatles na cara larga! E o pior: fazem muito bem feito! Se você não for muito atento, ao ouvir uma música do The Wanteds por aí, vai achar que é algo da dupla Lennon/Mc Cartney! Chega a ser irritante de tão bem feito! A capa, nem preciso falar então, mais Flower Power que isso, impossível (mas fique frio, eles não são hippies). Anthem Of A Dream foi gravado por André Bolela no Estúdio Inside Audio e Mídia, em Franca/SP, nos meses de Maio, Junho e Julho de 2006. Impossível citar destaques num disco tão retro e tão bom por igual! Portanto, se você curtiu, saia do seu submarino amarelo ou desça do céu de diamantes e vá atrás do seu! LT – 8,5
KATARSE
A Prosaica Onipresença Da Criatura
Independente – nac.
O nome da banda sugere: vai te deixar em estado katártico. O encarte é recheado de ilustrações do desenhista animador Ale McHaddo (autor de A Lasanha Assassina, curta-metragem nacional). A banda é estranha, o título do CD também e a música idem. Por isso, merece alguma atenção por parte da mídia Underground, pois boas idéias abundam por aqui. Zzz... abre o CD, um verdadeiro soporífero, depois vindo Fênix, a melhor do CD, furiosa e matadora. Espantalho é outro momento interessante. Outro bom momento vem na faixa 7, O Céu. Realmente, é mais uma banda para você observar e apreciar o que eles quiseram fazer aqui. Eles misturam tudo: Funk (de verdade), Rock, Metal, Punk, Pop, Hardcore, Blues, e etc. Não é de fácil digestão logo de cara, mas uma coisa nova em meio a tantas cópias que se tem por aí. LT – 7,5
UNS E OUTROS
Canções De Amor E Morte
Independente – nac.
Uma das bandas que é a cara dos anos 80 está de volta, com novos integrantes, nova roupagem e uma musicalidade diferentes. A banda primava por um Pop Rock na linha Capital Inicial, Ira! e Legião Urbana, com um som misturando Punk e Pós Punk e com letras políticas e comportamentais da época, falando de temas atuais vividos no mundo, principalmente guerras (frias e “quentes”), além de acontecimentos históricos. Notícias Do Leste fala da queda do muro de Berlim e da Perestroika levada a cabo por Michael Gorbachev, quando extinguiu a União Soviética e promoveu a abertura política e democratização do país, e em Carta Aos Missionários (seria profético um trecho desta música: “... fardas bonitas, condecorações”, falando dos dirigentes da ANAC recebendo condecorações 2 dias depois da queda do avião da TAM?). Esta foi o seu maior sucesso absoluto. Em Canções De Amor E Morte, eles mudaram tudo. Soam atuais e “modernos”, com um som pesado (nessa linha Hardcore Melódico as vezes) e letras mais de comportamento atual, relacionamentos e afins, como o Capital Inicial vêem fazendo desde que voltaram em 99. A banda é Marcelo Hayena (vocal), Nilo Nunes (guitarra) e os irmãos André e Zarmo Mainieri (guitarra e bateria) ainda imprimiram um certo ar de Britpop, com alguns temas mais românticos e melancólicos em alguns momentos, como em Um Dia De Cada Vez. Destaques para Eu Matei O Amor, Depois do Temporal (que contou com parceria de Bruno Gouveia, do Biquini Cavadão, que produziu o disco), Dia Branco (uma música de Geraldo Azevedo e Renato Rocha), O Homem Invisível, que fecha o disco junto com Pra Cada Amor um Adeus, instrumental pesado e nervoso. Enfim, esqueça aquela banda dos anos 80, pois hoje eles soam mais pesados e atuais, e é disso que o mercado está precisando hoje em dia! ADL – 8,0
CAPITAL INICIAL
Eu Nunca Disse Adeus
Sony/BMG – nac.
Com certeza, a banda tem a mesma potência, pique e poder de fogo que tinha nos anos 80. Não sei por que cargas d’água, justamente nos anos 80, a banda foi apenas de médio porte, em virtude de gigantes como Titãs, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e etc. E justamente na presente década de agora, quando a banda de longe faz clássicos, como de outrora, o Capital Nacional nunca fez tanto sucesso. Desde sua volta em 99 com Atrás Dos Olhos, cuja notícia do retorno foi maior do que o sucesso tímido do disco em si, a banda não parou de crescer. O responsável por esse boom foi o Acústico MTV, com vários clássicos da banda, aliados a músicas inéditas, covers e participações especiais, tudo jogando para a galera. Dali em diante, seu vocalista foi conhecido como Dinho “sem camisa” Ouro Preto, por usar e abusar muito da imagem de sexy symbol, se coroa quarentão meninão, mais do que sua voz mesmo. O projeto Aborto Elétrico MTV de 2005, apesar de honesto, também teve muito apelo comercial. E agora em Eu Nunca Disse Adeus a banda nunca soou tanto como Capital Inicial desta década! Letras leves, mais questionadoras do que em protesto, frases bem sacadas, Rock’n Roll leve e soft. Mas ainda Rock e com alguma qualidade. Confira. LT – 7,5
CUELHO DE ALICE
Samba Russo
MNF – nac.
Samba Russo é o álbum de estréia do Cuelho de Alice, a nova banda do vocalista das Velhas Virgens, Paulo de Carvalho, ao lado de Fabio Haddad e Neto Botelho. Inusitado né? Pois quando o Rock estava “morto” no meio dos anos 90, o Velhas Virgens foi um dos bastiões do estilo, defendendo-o com unhas e dentes, e fazendo aquele R’n’R dos mais tradicionais possíveis. Agora o Paulo de Carvalho quer dar uma de Virna Lise? Meu, Rock e Samba não se misturam! Não sabemos qual a intenção do cara e nem se vai vingar, apenas temos a obrigação de citar “destaques” misturando o Rock com elementos do samba, maracatu e até música árabe, incluindo Meninas Querem Dançar, Um Trago com Deus e O Caminho Do Seu Coração. Boa sorte. LT
IRA!
Invisível Dj
Universal – nac.
O Ira! foi uma das bandas mias viscerais do nosso Rock. E ainda é ao vivo, ainda mais na execução de suas músicas antigas. Seus últimos discos são discutíveis e este Invisível Dj é um dos melhores de sua fase pós Paradoxx Music. Claro, esqueça aquele misto único de Punk Rock com Mod que a banda fazia, que deu origem ao, na época, Rock Paulista (jaquetas de couro, jeans, tênis, vida na noite, letras sérias, temas políticos sob um ponto de vista juvenil e músicas simplistas e técnicas ao mesmo tempo). A realidade é outra e ao contrário do Capital, que mostram uns quarentões querendo soar como meninos, mas ainda sendo quarentões, o Ira! mostra que virou uma banda adulta. Experimentalismos ainda se fazem presentes, resquícios da carreira solo de Edgard Scandurra. Mas o Rock impera. Sem destaques individuais em termos de música, pois em termos de Músicos, apesar dos quatro serem feras, Edgard Scandurra é um gênio! Fãs tradicionais da banda, podem comprar sem medo. Novos fãs são bem vindos.
LT – 8,0
LOBÃO
Acústico MTV
Sony/BMG – nac.
Muito se falou deste Acústico MTV, com certeza, o mais polêmico de todos. Quase todos os projetos neste formato e série geraram polêmicas, cada um por cada qual. E Lobão é um dos caras mais polêmicos da história da música nacional, e um dos mais talentosos também. Juntou os dois, o resultado esta aí. Se fosse feito isso há uns dez anos atrás, a polêmica seria maior, assim como o seu possível resultado seria melhor, mas ainda assim, está valendo. Clássicos do Pop Rock nacional violonizados pelo velho Lobo se fazem presentes, como Décadance Avec Elégance, Essa Noite, Não, Me Chama, Rádio Blá, Corações Psicodélicos, Noite e Dia, Você E A Noite Escura, entre outras. Umas ficaram legais, outras nem tanto, perderam o punch sem a parte elétrica. Mesmo assim, a desenvoltura das músicas, no geral, ficou acima da média. Até porque, faz tempo que o Lobão se apresenta no formato “violão e banquinho”. Das inéditas, realmente, não muito bombásticas, como O Mistério, composta em parceria com Lulu Santos nos tempos do Vímana. E a participação especial da banda Cachorro Grande na música A Gente Vai Se Amar. Aliás, por que falam tanto desse Big Dog? Eles não tem nada demais! Enfim, bom ter o velho lobo de volta nas rádios, MTV (que está uma caca) e na mídia em geral. Depois de quase uma década peregrinando pelo Underground e inovando, vendendo discos em banca de jornal (um dos pioneiros), Lobão se sente a vontade de novo. ADL – 7,5
NAÇÃO ZUMBI
Propagando
Trama – nac.
A banda que ficou órfã a mais de 11 anos, com a morte de Chico Science, o caranguejo rainha, continuou com a sua carreira inabalável. A sua cozinha é impecável e o destaque do grupo, que ainda faz aquela mistura de Rock com Maracatu, dando um desdobramento a mais no Pop Brasileiro e nossa MPB/MPB (Música Popular Brasileira/Música Pop Brasileira). Ao vivo no antigo DirectTV Music Hall (antigo Palace, há pouco Cie Music Hall, atual Citibank Hall) em um carnaval em sampa (em vez de estarem em Pernambuco). Vamos direto aos destaques: Lama Ao Caos, Manguetown, Quando A Maré Encher e Blunt Of Judah. E ainda um cover de Purple Haze, de Jimi Hendrix e outra de Ponta De Lança Africano (Umbabarauma) do incauto Jorge Benjor. Indicado realmente só para fãs da banda, que vai delirar e querer ficar propagando o Propagando (CD) por aí. LT

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