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KAMELOT & EPICA – Via Funchal/SP – 03/12/05. Texto e fotos: Júlio César Bocáter.Duas das bandas de maior ascensão no cenário internacional, Kamelot e Epica, aportaram no Brasil para uma turnê. O show de São Paulo, o maior em termos de público, foi o que cobrimos. Num dia frio, meio nublado e com garoa (típica de São Paulo e típica quando temos shows desse porte) que foi o sábado, dia 3 de dezembro de 2005, mais de 4 mil fãs invadiram o Via Funchal, melhor casa de shows da cidade, e que conta com a melhor e mais prestativa assessoria de imprensa de todas elas! O público, um misto de góticos com headbangers, civilizadamente se misturaram e ambos os públicos curtiram as duas bandas, sem aquela falta de respeito de fãs de Krisiun e Kreator fizeram com o Tristania em março deste ano. Na turnê destas duas bandas, tivemos aberturas diferentes em cada uma das datas. Em São Paulo, quem abriu o espetáculo foi o guitarrista do Angra, Kiko Loureiro, divulgando seu CD solo No Gravity. Passada a morna abertura, quem sobe ao palco são os holandeses do Epica. A banda foi formada por Mark Jansen, assim que o mesmo saiu do After Forever, do qual tocava com sua irmão, Floor. Mais uma vez, uma separação benéfica no mundo do Rock, pois a banda de Floor continua firme e forte e com a saída de seu irmão, ganhamos mais uma grande banda! Ao montar o Epica, além de chamar músicos de alto nível, Mark descobriu uma pérola, Simone Simons, a bela ruiva francesa, que é uma das maiores cantoras líricas da cena e cotada para ser a substituta de Tarja Turunen (isso um palpite meu, afinal, quem teria vocal, beleza, postura de palco e carisma para substituir Tarja, senão ela?). O show, claro, baseado nos dois discos de estúdio que a banda tem, o grande The Phantom Agony e o soberbo Consign To Oblivion. O show deles é tão preciso, que parece você estar escutando um CD, só que claro, com muito mais punch e peso! Ao vivo eles são excelentes e Simone canta muito! Além disso, tem uma boa performance de palco e um carisma poucas vezes visto. Mark Jansen, além de tocar muito, quando abre a boca para seus urros guturais, é um urso! Clássicos do Goth Metal como Dance Of Fate, Last Crusade, Quietus Grunts Version, Cry For The Moon, Blank Infinity Seif Al Din, Façade Of Reality (linda) e claro, The Phantom Agony e Consign To Oblivion. Com o tradicional intervalo de meia hora, sobe no palco talvez a banda mais européia dos Estados Unidos, o Kamelot! A banda da Flórida liderada por Thomas Youngblood (G), e tem como frontman o grandioso norueguês Roy Khan (ex-Conception). Completam o time, Glenn Barry (baixo) e Casey Grillo (bateria) e a formação ao vivo ainda conta com o alemão Oliver Palotai (teclados/Doro, Uli Jon Roth) e da soprano Mari. Roy entrou na banda em 98 após o fim do Concept e desde então, elevou o Kamelot ao primeiro time do Heavy Mundial, dando uma amplitude ainda maior às composições do geminiano Thomas Youngblood. Claro, foram tocadas faixas de toda a carreira da banda, com ênfase na fase Roy Khan e mais ainda, para o recente CD The Black Halo. O show foi irretocável, perfeito, mas o ponto alto sem dúvida, para êxtase coletivo foi Abandonded, com a participação da Simone Simons, cantada em uníssono por mais de 4 mil pessoas! Enfim, dois grandes shows e mais um grande evento, com um saldo pra lá de positivo! Que ambas as bandas voltem ao Brasil novamente ano que vem quando devem lançar seus próximos trabalhos de estúdio e, se puderem vir juntas novamente, teremos mais uma vez a oportunidade de ver um dos maiores duetos de toda a história do Heavy Metal! PEARL JAM – Estádio do Pacaembu/SP – 03/12/05. Texto: Leandro Torres. O Brasil esperou quinze anos para ver o Pearl Jam e quando eles vieram, o clima ficou parecido com Seattle, com céu nublado e garoa. Por causa da nova norma da Prefeitura de São Paulo, para eventos no estádio do Pacaembu, os shows começaram em horário de matinê. Dava pena, ver um monte de gente que pagou mais de R$100,00 chegando no final do show do PJ, mas tudo bem. As 18h20 entrou o Mudhoney, com apenas meia hora de set. Destaques para In And Out Of Grace e Touch Me I'm Sick, deixando o palco em meio a uma forte chuva. Pouco depois das 19 horas, o Pearl Jam aparece! Eddie Veder e Cia entram logo em cena e começam logo com Go, Hail, Hail e Animal, em meio a estas Eddie tentou algumas palavras em português no que foi prontamente ovacionado pelo público. O show foi uma coletânea de músicas que marcaram uma época e uma geração, principalmente do álbum Ten. Even Flow, Alive e Once levaram o público ao delírio relembrando os tempos do Grunge. Além destes ainda tivemos bons momentos com Do The Evolution e a homenagem a Joey Ramone com I Believe In Miracles. No final, Black e Jeremy. A performance da banda ficou um pouco aquém do esperado, talvez por ser o segundo show em SP e no final da turnê, mas matou a lombriga de dezenas de milhares de pessoas! GAMMA RAY – Olympia/SP – 19/11/05. Texto: Rodrigo Sanches. Fotos: Júlio César Bocáter.Mais uma vez, o GR vêem ao Brasil. O show é quase idêntico aos feitos por aqui em 97, 99, 2003 e 2005 agora, tendo uma mudança no set list. Pois a formação em todas as vezes foi a mesma, a postura de palco e a comunicação do sempre simpático Kay Hansen. Desta vez, um disco mais básico e tradicional para divulgar, o majestoso Majesty. O Gamma Ray abre seu set com Garden Of The Sinners, seguindo a clássica Heaven Can Wait e My Temple do novo álbum. O público vai ao delírio com os clássicos Heavy Metal Universe, Rebellion In Dreamland (sempre aclamada), Land Of The Free, Valley Of The Kings e Somewhere Out In The Space. Depois do final, voltam para mais um encore, com Send Me A Sign e I Want Out, da ex-banda de Kay, o Helloween. Aliás, na boa? Todos no mundo inteiro deveriam ser proibidos de tocar essa música! Todos! Inclusive o Gamma Ray e o próprio Helloween atual! Pois esta música em especial, sem ser cantada na voz de Michael Kiske, todas as versões que ouvi até hoje, seja em disco em tributos ou covers, e ao vivo com os próprios Gamma Ray e Helloween, soam patéticas. TRIBUZY e Convidados – Credicard Hall – 11/11/05. Texto: Júlio César Bocáter. Bem, a banda principal era o Tribuzy, mas a maioria foi mesmo para ver Bruce Dickinson e convidados, e muitos ainda para ver a banda de abertura, do Jeff Scott Soto. O cubano detonou com seu Hard Rock visceral e malicioso, atraindo muitas pessoas mais veteranas, digamos assim. Tirando o meio do show, com um excessivo número de baladas, o restante foi eletrizante! O vocalista que já fez parte da banda de Yngwie Malmsteen, apresentou músicas de seu mais recente álbum solo, alguns clássicos do Talisman, do próprio Malmsteen e alguns covers que agitaram o público presente. Afora meia dúzia de babacas, que a cada música de JSS que acabava, ficavam gritando “Bruce, Bruce, Bruce”, foi uma apresentação brilhante. Os idiotas nem pararam quando JSS entra com uma camiseta da seleção brasileira escrita seu nome nas costas! Apesar de polido, uma hora JSS não se conteve e perguntou se o que eles estavam gritando era “Pussy, pussy, pussy”, e os manes não entenderam nada. Um breve intervalo e sobe ao palco Renato Tribuzy, o músico brasileiro que recentemente lançou Execution, que é um dos melhores discos do ano de 2005 e conta com uma constelação de convidados especiais, muitos deles vieram aqui no Brasil para estes shows. O set abre com Aggressive, uma das mais rápidas de seu álbum. E apesar das estrelas, Renato é um baita compositor e um grande vocalista, de nível internacional mesmo! O desfile de celebridades começou com Kiko Loureiro (Angra) que acompanhou grande parte do show. Mat Sinner cantou junto com Tribuzy Nature Of Evil cover do próprio Sinner, depois deu lugar a seu companheiro de Primal Fear, Ralf Scheepers que cantou Absolution, tendo como guitarrista Roland Gapow (ex-Helloween e atual Masterplan). Final Embrance foi interpretada por Ralf e Mat juntos. Execution foi a próxima, só a Tribuzy band mesmo. Mas o responsável por grande parte do público foi Bruce Dickinson e Mr. Air Raid subir ao palco, primeiro no dueto em Beast In The Light, para em seguida detonar com Tears Of The Dragon (de sua carreira solo e em nova versão) e agora contando com Chris Dale (baixo) e Roy Z (guitarra). "Be Quick Or Be Dead" foi a primeira do Iron Maiden. Na seqüência, Bring Your Daughter...To The Slaughter cantada em uníssono. Para finalizar Bruce convida a todos os convidados, inclusive Andreas Kisser, do Sepultura, para juntos fazerem de The Evil That Men Do um final apoteótico. Já que a proposta do show era ser um evento magnânimo mesmo, parabéns à Bruce, que participou do disco, veio ao Brasil e, ao tocar músicas do Maiden, fugiu do óbvio, escolhendo músicas mais cult e que estão fora do set da Donzela a muito tempo. E apesar de tantos craques da música, Renato Tribuzy tem talento e muito futuro, mesmo que seja para discos sem participações especiais. LIVE’N LOUDER – Estádio do Canindé (Portuguesa) – 12/10/05. Texto: Júlio César Bocáter. O Live’n Louder promete ser a volta dos grandes festivais de Heavy Metal, como já tivemos no passado. Se os finados Philips Monsters Of Rock, Skol Rock e o esporádico Rock In Rio escorrem lágrimas ainda hoje nos saudosistas, o Live’n Louder promete ser o presente e o futuro de que essa magia está de volta! Que a parceira entre a produtora de shows Top Link e a revista Roadie Crew seja eterna! Abrindo a tarde, os mineiros do Tuatha De Danann O grupo mineiro teve exatos 30 minutos para apresentar seu folk metal. Apesar do curto tempo, deu para a banda mostrar seu recado e mostrar um pouco do que fez em sua turnê pela Europa. Na seqüência, o Dr. Sin, de volta a um festival, depois de estrear a banda em uma deles (Hollywood Rock de 93). Com set curto também, os decanos do Hard Paulistano divulgaram o novo disco Listen To The Dr's, covers de Kiss e Motörhead (que fazem parte deste disco) e encerraram com a única música em português de sua carreira, mas o clássico mor, Futebol, Mulher & Rock And Roll. Nada de mais, mas deram conta do recado. A primeira atração internacional foi o The 69 Eyes, com o seu Gothic Metal/Rock Glam, rememorando os grandes momentos dos anos 80! Apesar do horário inadequado, colocando os vampiros no mais forte Sol, e com pouco tempo, 40 minutos, veio com um set reduzido, calcado no recente Devils. Serviu como aperitivo para que a banda volte para um show completo, o que seria fantástico! Mais uma vez no Brasil, o Destruction (de novo – todo ano tem shows deles aqui) substituiu o Testament, que cancelou a sua vinda dias antes do festival. Inclusive, muitas pessoas compraram ingressos e esperavam para ver exclusivamente os reis da Bay Area. Rapidamente a organização ao menos colocou uma banda do estilo, o Thrash em seu lugar. O líder e vocalista Schmier ainda aproveitou para cutucar o grupo americano dizendo: "Nós não somos o Testament, nós viemos ao Brasil..." E em outro momento: "Estamos aqui para honramos o thrash metal...”. Clássicos do Thrash germânico foram despejados como Mad Butcher e Thrash Till Death, além de algumas do recém lançado Inventor Of Evil. Outra banda alemã veio na seqüência, o Rage, que ainda precisa vir de forma descente no Brasil. A única até então, foi em 96 junto com o Grave Digger, cuja desorganização do evento levou um público pífio, o Grave Digger conseguiu quebrar esse mito, agora falta o Rage também num show completo como headliner. O Power Trio é poderoso ao vivo! Peter “Peavy" Wagner (líder, vocal e baixo), é carismático, o guitarrista russo Victor Smolski é um az, e do batera arrasador Mike Terrana (ex-Yngwie Malmsteen). Bom show! A noite já caía e o calor dava espaço ao frio, coisa comum em São Paulo, esfriar em dia de show, e o Shaaman enobrecendo o Metal brasileiro entra em cena. Poucas vezes uma banda nacional foi a terceira principal atração de algum festival no Brasil, fazendo um set quase completo, com uma hora e quinze minutos de duração. Divulgando o CD Reason, a banda se mostra cada vez mais pesada, sombria e direta ao vivo! O show teve a participação do violonista Marcus Viana, aproveitando a deixa e tocando também na cover More do Sisters Of Mercy, ficando ainda mais sombria e gótica! E dessa vez, além do set ter músicas dos dois discos do Shaaman, só teve Lisbon do Angra, para mostrar que é outra banda e que o trio Matos, Mariutti e Confessori não precisa viver do passado. Um dia vocês imaginaram estes três ex-Angra não tocarem Carry On? Pois este dia chegou! Parabéns pelo grande show e pela ousadia! Na seqüência, um momento histórico: um dos últimos shows de Tarja Turunen no Nightiwsh! Sim, quem viu, viu, quem não viu, só em DVD agora! Apesar de poder ter sido mais um grande show da banda por aqui (eu assisti a todas as vezes que os finlandeses se apresentaram no Brasil), já dava mostras de uma frieza no relacionamento entre eles. Frieza já solidificada ao longo do tempo, e esperada pelas declarações de ambos integrantes ao longo dos anos. Mas vamos ao show em si, que foi excelente, mas sem novidades, visto que o set era quase o mesmo da turnê anterior aqui, no final de 2004, menos de um ano atrás. Tarja se mostrava mais solta no palco e os instrumentistas cada vez melhores. Clássicos, como Wishmaster, Sleeping Sun, Nemo e Wish I Had An Angel, não faltaram. O fato a se lamentar é a ausência dos clássicos do Oceanborn melhor disco da banda, responsável por coloca-la onde ela está hoje e um dos discos mais bombásticos da história do Metal! Para o encore, Tarja apareceu vestida de amarelo e depois surgiu toda de branco, e tocaram a cover de High Hopes (do Pink Floyd), que está presente na nova coletânea do conjunto Highest Hopes. Para encerrar, o Scorpions. Ainda divulgando o CD Unbreakable, cujo set foi baseado, a banda detonou! Além das músicas deste disco remeterem ao melhor da banda, clássicos como Rock You Like A Hurricane, Big City Nights, Still Loving You e Wind Of Change não faltaram. A performance da banda, dado o desconto da idade, é energética e matou as saudades de 8 anos sem Scorpions no Brasil! Enfim, o que prometeu ser a volta dos grandes festivais de Heavy Metal e Rock Pesado no Brasil, cumpriu seu papel a contento. Que o Live’n Louder se transforme em um evento tradicional, com mais bandas, mais palcos, com banda que nunca tenham vindo ao Brasil e cada vez melhor! MEGADETH & APOCALYPTICA – Credicard Hall/SP – 11/10/05. Texto: Flávio da Silva Santiago. Depois de um intervalo de sete anos sem tocar por aqui e muitas incertezas sobre o futuro da banda, o Megadeth totalmente reformulado e apenas com Dave Mustaine da formação original, fez com que o Credicard Hall ficasse com sua lotação máxima para conferir um dos melhores shows do ano. Com a abertura dos finlandeses do Apocalyptica, que serviram como um mero aquecimento para o show principal, interpretaram nos violoncelos além de musicas próprias, covers de bandas como Metallica (Master Of Puppets), e Sepultura (Refuse / Resist) com muita competência, mas não agradaram muito aos fãs pelo fato de não conhecerem muito as composições da banda, ficando um clima inconveniente para a banda que abandonou o palco antes mesmo de tocarem todo seu set previsto para a noite.Por volta das 23 horas, chega a hora mais esperada por todos, é a vez do Megadeth.Dave Mustaine não decepciona os fãs abrindo o show com a ótima Blackmail The Universe, tema de abertura do último álbum The System Has Failed, fazendo estremecer a platéia que se aglomerava na pista, seguida por Set The World Afire e Skin O´My Teeth. Com muito carisma, Dave Mustaine agradeceu ao público presente e prometeu tocar o máximo de musicas possíveis. O público agradeceu e a banda retribuiu com um set perfeito e músicas como A Tout Le Monde, Angry Again, Symphony Of Destruction e Trust foram cantadas em uníssono por todos. Outro bom momento do show foi a cover de Paranoid do Black Sabbath e no final, como já esperado, Holy Wars... The Punishment Due, sacudiu de vez o Credicard Hall fazendo o publico entrar em êxtase. Fim de show e uma certeza para os fãs, que podem esperar outro show do Megadeth em breve, pelo menos foi o que disse Dave Mustaine. Sem dúvida um grande presente para os fãs que fizeram sua parte lotando o Credicard Hall. EVERGREY & PAIN OF SALVATION – Via Funchal/SP – 24/09/05. Texto: Rodrigo Sanches. Fotos: Júlio César Bocáter.Este um show era uma verdadeira incógnita. Afinal, se tratavam de suas bandas de Prog Metal diferenciadas, fugindo do estilo já manjado de Dream Theater e Symphony-X. Ou seja, ambas de alta qualidade, ambas suecas, mas de um estilo restrito e bem menos popular do que outros dentro do Metal. Mas a presença de quase três mil pessoas atestou e aprovou a empreitada. A primeira a tocar foi o Evergrey, fazendo um Prog sombrio e mórbido. A virtuose era evidente, mas bem dosada, sendo que o que se sobressaía mais era o peso. Apesar do Evergrey tocar primeiro, era bem claro que não havia banda principal, visto que até o tempo de palco de ambas foi bem próximo um do outro. Do extenso set, destaques para Blinded, End Of Your Days, More Than Ever, Solitude Within, Nosferatu e o final com The Masterplan. Só há uma palavra para resumir a apresentação deles: soturno! Em seguida, o Pain Of Salvation. Sem dúvida, uma das bandas mais pitorescas já vista até hoje em nosso país! Afinal, alem de fazer Prog, eles agregam diversos elementos em sua música, muitos deles até fora do Rock! Há performances, troca de figurino, e o telão, ao fundo do palco, mostrava o vídeo-clipe de cada música executada, ou imagens quando este não havia para a música em questão. Sua música é profunda e as imagens exibidas são fortes, algumas mostrando como é o “outro lado”, outras chocantes, como uma mulher entubada, morrendo numa banheira. O começo do show foi angustiante, com tudo escuro e por cerca de cinco minutos, batidas de coração apenas, com pequenos flashes da mesma mulher entubada (cenas perigosas e fortes para pessoas com problemas cardíacos). Impossível destacar algum momento ou o ponto alto do show, pois todas em todas as faixas havia uma encenação especial e, assim como seus discos, a apresentação e o set foram montados de tal forma que acabaram soando conceituais. Impressionante! JUDAS PRIEST & WHITESNAKE – Estacionamento do Anhembi/SP – 09/09/05. Texto: Júlio César Bocáter. Em primeiro lugar, é uma vergonha chamar o local onde foi realizado de Arena Skol, como vem sendo chamado. Pois para um patrocinador deste porte, usar seu nome num lugar precário, sem nenhuma melhoria é vergonhoso! Pois esta “Arena” em nada difere de todos os shows realizados no estacionamento do Anhembi. Um antigo estacionamento e só! O lugar é o mesmo, descoberto, desconfortável, poucos banheiros químicos, gerando filas extensas e nada mais! Em segundo lugar, graças ao trânsito da cidade e ao longo percurso para poder entrar na “Arena” foram responsáveis por perdermos o show de abertura, do Angra. Mas reclamações a parte, estávamos lá para ver ninguém menos do que Judas Priest com Rob Halford e a volta do Whitesnake só isso! Minutos após o encerramento do Angra, vem ao palco a tão aguardada, aclamada e esperada nova formação do Whitesnake! A banda, liderada por David Coverdale, meu ídolo na minha adolescência, abre com nada menos do que Burn do Deep Purple, principal música da época de David na banda! Inteligente, pois apesar da maioria do público estar lá para ver o Judas, ou seja, um público mais pesado, este foi ganho logo no começo, resgatando um clássico! E a banda está mais do que coesa! Tommy Aldridge voltou para a bateria e é mais preciso do que um relógio suíço. Uriah Duffy, ex-Blue Muder (ex-banda do guitarrista John Sykes, ex-Whitesnake e desafeto declarado de Coverdale) é um bom baixista, formando uma das melhores cozinhas do momento junto à Tommy. Thimoty Dhury dá conta do recado no teclado. Agora, a dupla de guitarristas Reb Beach (ex-Dokken e Winger) e Doug Aldrich (ex-Dio) formam uma das paredes sonoras mais poderosas que já ouvi ao vivo! Haja talento nessa banda! Depois de Burn, vem a inesperada e agradável surpresa: Bad Boys! Apesar da turnê “divulgar” ainda o Best Of lançado em 2003 e esta faixa não conter na coletânea em questão, Coverdale decidiu priorizar nesta turnê a época dos anos 80. E Bad Boys ao vivo foi um arregaço! Ouvir as guitarras dobradas logo após o solo e vendo Coverdale agitar como se tivesse ainda 30 anos de idade, foi uma das cenas que não sairão da minha cabeça e ouvido pro resto desta minha existência! Quer mais? Love Ain’t No Stranger, nada menos que a primeira música que toquei em guitarra na minha vida, e um dos maiores clássicos da música. Para arrepiar ainda mais, Slow And Easy. Matadora, as paradas desta música, ao vivo são indescritíveis. Seguindo, Gimme All Your Love, ao vivo, mais bombástica ainda! Crying In The Rain, mais swingada, acalma os animos, mas não muito, para em seguida, as baladas Is This Love, responsável por toneladas de lágrimas coletivas escorridas, e Here I Go Again. Encerrando, a apoteótica Still Of The Night, climática e envolvente! Chegava ao fim, um dos shows mais aguardados do ano, mas não havia acabado a noite ainda. Logo depois, entra a entidade Judas Priest. A volta de Rob Halford foi um dos maiores acontecimentos nos últimos anos. E a expectativa para vê-lo era imensa e, apesar de todos no fundo terem ficado satisfeitos com isto, sem dúvida, Rob não é mais o mesmo. Bem mais velho, sua voz está um pouco abaixo do que era (apesar de ainda ser um grande vocalista) e sua performance de palco é no mínimo esquisita. Parecendo um robô, se movia lentamente (seria o peso de sua nova indumentária, parecendo uma armadura de couro), pouca comunicação com o público e cantava todo momento olhando para baixo. Sua performance lembrou a de sua banda solo no Rock In Rio 3 em 2001, e apesar de ser Rob Halford, acaba sendo até decepcionante, ainda mais para que os assistiu ao vivo no Rock In Rio 2 em 91 ou em algum vídeo antigo da banda. Aquele dinamismo, aquele cantor elétrico que não parava em palco não existe mais. Claro, todos com a idade avançada, maneram ao logo dos anos. Mas hoje Rob é estático. No começo, com Hellion emendada sempre de Electric Eye, ele surgia em plataformas e de lá não movia um centímetro. Na metade de Metal Gods que ele saiu das plataformas e desceu as escadas passo a passo. No então, a performance do restante da banda continua a mesma! Scott Travis debulha seu kit de bateria, mostrando ser muito superior a Dave Holand, antigo batera da banda. Ian Hill continua lá no fundo, bangueando com seu baixo. E a dupla de guitarristas mais famosa da história do Metal, K. K. Downing e Glenn Tipton, intacta, com seus movimentos sincronizados. Quanto ao restante do set, não faltaram Riding On The Wind, A Touch Of Evil, Beyond The Realms Of Death, Turbo Lover (excluída a muitos anos do set list, voltando agora), Victim Of Changes, Hell Bent For Leather, Living After Midnight (bobinha, mas sempre eficaz ao vivo) e minha predileta, You´ve Got Another Thing Coming, ainda bombástica, e claro, Breaking “What” The Law. No meio destes clássicos, tivemos as novas do recente Angel Of Retribution, com destaque para Deal With The Devil, que com certeza é uma das melhores músicas já feitas pela banda, Hellrider e Judas Rising, que marca a volta da banda com esta formação. Enfim, um evento com dois gigantes de toda a história da música, e que em 2006 tenhamos mais dobradinhas como esta! ![]() STRATOVARIUS – Olympia/SP – 27/08/05. Texto e fotos: Márcio Rodrigo Pereira.Ao entrar na casa, via-se a preocupação com a produção, pois naquela noite seria filmado o DVD deste show. Bandeiras pretas cobrindo propagandas e testes e mais testes de som para tentar atingir a perfeição. O show começa na hora marcada com a transmissão do que parecia ser parte do Making Off do DVD a ser lançado em breve. Dois telões localizados nos extremos horizontais do palco mostravam imagens do passeio pela América do Sul, Argentina, passando pelo Chile e Brasil, imagens de Curitiba e do centro de São Paulo. Após isso, as luzes se apagam e o Stratovarius entra em cena. A banda começa a tocar o novo som Maniac Dance do álbum Stratovarius, emendando direto Speed Of Light e Kiss Of Judas. Kotipelto dá uma pausa e diz que estão gravando o DVD e que todos ali são uma Legião de Rockstars e começa a Legions. Depois, o novo baixista Lauri Porra é convidado por Kotipelto e a palavra “porra” ficou na boca da galera que gritava “porra, porra, porra“. Chega então a hora das baladinhas “que adoro” ao estilo do Stratovarius. Coming Home, Seasons Of Change e Forever, que também foram pontos altos no show. Percebendo que o show estava chegando ao seu clímax, os fãs pediam desesperadamente Black Diamond. Não deu outra. Mais um grande show em mais uma passagem do Stratovarius pelo Brasil (97, 99, 2000 e agora cinco anos depois), tanta que desta feita, seu DVD ao vivo foi gravado aqui em nossa terra! AFTER FOREVER – Directv Music Hall/SP – 30/07/05. Texto: Rodrigo Sanches. Foto: Júlio César Bocáter.
Mais um dos ícones do Gothic Metal com vocais femininos aporta no Brasil. A banda vem da Holanda e executa aquele segmento mais Progressivo do estilo, com muitas quebradeiras, técnica e melodia. Ao vivo, eles surpreendem, pois além do peso ser maior, reproduzem fielmente o que é tocado em disco, sem soar pasteurizado.
A banda abre com duas músicas do recente Invisible Circles, Childhood In Minor e Beautiful Emptiness. Alias, apesar de ser a primeira passagem da banda no Brasil, o show foi pautado em cima deste último disco, não deixando de lado “clássicos” dos dois primeiros CDs, Prison Of Desire e Decipher, como Monolith Of Doubt e Follow In The Cry, que encerraram o show. Ainda como destaque, The Evil That Men Do, cover do Iron Maiden que, se ficou longe da versão original, ao menos soou interessante, com um vocal feminino e com um instrumental mais “amarrado”, sendo um dos pontos altos do set, além de apresentarem uma inédita, Being Everyone.
A banda veio com o figurino de divulgação do Invisible Circles, vestidos como super-heróis e a vocal Floor Jansen, além de bela e cantar muito ao vivo (ela canta mesmo, não é enganação – mostrando que não existe só Tarja Turunen na cena), estava vestida com uma espécie de macacão apertado da cabeça aos pés e parecia estar sem mais nada por baixo dele. Apesar de soar apelativo e de não muito bom gosto (desnecessário pra ser mais preciso, pois ela consegue impor respeito naturalmente, além de ser carismática), não fez disto o foco principal da apresentação!
Convencendo mesmo até quem não é fã do grupo, esperamos pela volta em sua próxima turnê!KREATOR, TRISTANIA, TORTURE SQUAD & KRISIUN – Espaço das Nações/SP – 19/03/05. |
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