NEW MODEL ARMY – Clash Club/SP – 07/08/2007.
Texto e foto: Flávio da Silva Santiago.
Após 16 anos a banda de Justin Sullivan volta ao Brasil com caras novas é verdade, mas com o mesmo espírito que deu ao New Model Army sucesso e prestígio na década de 80, sempre com letras e melodias contagiantes, desta vez a banda retorna ao Brasil para 2 apresentações na capital paulista para divulgação de High, novo álbum da banda com data de lançamento prevista para o dia 20 deste mês.
No público que compareceu ao Clash Club para as apresentações da banda a faixa etária é de aproximadamente 30 anos, uma pena, pois bandas com tal iniciativa e talento são raras nos dias de hoje.
Com cerca de 15 minutos de atraso a banda sobe ao palco e impressiona os fãs ao executar seu maior hit 51st State logo de início, quebrando o gelo entre a banda e os fãs e ganhando definitivamente a confiança do publico dali por diante.
Alegando não saber falar português, mas com muita vontade de se comunicar com os fãs Justin Sullivan cativou aos fãs e pediu desculpas pela demora em retornar ao país.
Com músicas como Here Comes The War, Vagabonds, White Coats e a belíssima Green And Grey cantada em uníssono por todos a banda demonstrou que mesmo com o passar de tanto tempo continua com o mesmo vigor e energia que tantas bandas novas ainda almejam, e que embora tenham caído no esquecimento pelo menos em termos mercadológicos continuam com um grande potencial a demonstrar, prova disso foram as faixas Wired e High do novo álbum da banda.
Em uma noite inspirada ainda tocaram as excelentes Purity, Get Me Out, Poison Street e contrariando a tudo retornaram para um segundo bis e executaram The World para fechar uma noite muito especial e inesquecível para os fãs da banda, que saíram com a sensação de dever cumprido.
TESTAMENT – Via Funchal/SP – 25/04/2007.
Texto: Flávio da Silva Santiago. Foto: Júlio César Bocáter.
Desde a última passagem pelo país, em 1989, época em que a banda foi ciceroneada por Max Cavalera (então líder do Sepultura), muita coisa mudou para o Testament. Apesar das idas e vindas em sua formação, que teve alterações em praticamente todos os postos, o maior sobressalto vivido pelo grupo certamente foi o câncer enfrentado pelo vocalista Chuck Billy, um autêntico descendente de índios norte-americanos. O frontman recuperou-se após um delicado tratamento, a banda retornou à formação original (com Billy, Clemente, Alex Skolnick e Eric Petterson nas guitarras e Greg Christian no baixo) e o Testament voltou ao mercado com um interessante registro ao vivo de sua reunião - o CDe DVD Live In London, cujo set list serviu de base para o show realizado em São Paulo. O baterista na tour atual é Nick Barker (ex-Dimmu Borgir e ex-Cradle Of Filth). No palco, a banda mostrou-se um conjunto maduro e entrosado, com disposição e garra para encarar seu público fiel, que agitou com energia ao som de pauladas como Into The Pit, The Preacher, Eletric Crown, The New Order e The Haunting. O vocalista Chuck Billy proporcionou um espetáculo à parte. Carismático e muito querido pelos fãs, ele interagiu o tempo todo com o público – com direito a uma saudação "Bom dia, São Paulo!", dita às 23h30 – e mostrou que não à toa figura entre as principais vozes da história do thrash Metal. Do set list, praticamente igual ao do já citado show Live In London, destaque especial para as execuções de Trial By Fire, Practice What You Preach, The Legacy e Disciples Of The Watch, todas cantadas em coro pelos fãs. Billy, Skolnick, Barker, Christian e Peterson deixaram o palco lamentando pelos 18 anos longe do Brasil e fizeram uma promessa, solenemente pronunciada pelo vocalista: "Não vamos demorar tanto tempo para voltar. E estaremos aqui com um novo álbum!" Agora, resta esperar.
MOTÖRHEAD – Via Funchal/SP – 29/04/2007.
Texto: Júlio César Bocáter.
Quem abriu a noite foi o Matanza. Merecido, pois é uma das bandas mais chupadas da história da música. O Matanza copia o Motörhead em vários aspectos, principalmente o visual do vocalista, feio e gordo que nem o Lemmy (proposital, na barba, cabelo e etc.), além de mostrar uma espontaneidade forçada em entrevistas, vídeo clipes, dezenas de inserções na MTV e no show ao vivo também. Antes de anunciar uma das músicas, ele oferece para “aquele filho da puta. Mas qual filho da puta? Ah, qualquer um”. Isso só perde em profundidade para o Chorão do Charlie Brown Jr. Abrindo para o Linkin Park quando disse que só sabia falar cinco palavras: filho da puta, cusão, vai tomar no cu, vai se fuder e caralho.
Ao que interesse, para um Via Funchal lotado, a banda lendária entra em cena. E posso ser sincero? Cansativo. Ok, já vi o Motörhead quase todas as vezes que tocaram no Brasil (92, 96 no Monsters Of Rock, 2000, 2004 e agora – só não os vi em 89), então, justifica minha opinião. Ok também que 90% do público, com certeza, estava vendo a banda pela primeira vez, então, tudo ta valendo (tanto que estes mesmos ovacionaram e cantaram junto com o Matanza o tempo todo, como este fosse a salvação do Rock). Mas mesmo assim, depois de ter assistido a quase mil shows em minha vida (claro, contando os cinco, agora, da turma de Lemmy), tem tanta coisa legal, diferente, mesmo sem ser original, simples mais direto. Mikkey Dee é um desperdício na bateria, pois o cara é um octopus nas baquetas, mas, no som reto do Motörhead, joga técnica fora, técnica esta que esbanjava no King Diamond, onde fazia a diferença. Lemmy é a mesma coisa de sempre e Phil Campbell é totalmente inexpressivo. Essa imagem que eles insistem em querer passar, de que comem todas as mulheres, que bebem todas, que fumam e cheiram todas, já deu no saco. Os caras estão na casa dos 60 e não tem mais pique para tanto. E os diálogos entre Lemmy e Phil entre as músicas, querendo passar que ainda são despojados? O set teve quase todos os clássicos da banda, como Dr. Rock, Stay Clean, Metropolis, Over The Top. A ainda recente Sacrifice ainda tem fôlego, e as novas do Kiss Of Death, que foram Be My Baby e Sword Of Glory mostra o mais do mesmo. Com Going To Brazil, homenagem aos brasileiros, o Via Funchal quase despencou. Killed By Death, minha preferida, ainda continuará sendo. Fechando a manjada Iron Fist. No encore, Ace of Spades e a Overkill. Faltaram No Class, Bomber e Orgasmatron (que, embora coverizada pelo Sepultura, numa época marcante de nossa cena no Brasil, a original também é foda). Enfim, o show foi ruim? Longe disso! Só que, como disse, se tornou cansativo.
PENNYWISE & INOCENTES – Credicard Hall/SP – 30/03/2007.
Texto e foto: Júlio César Bocáter.
Quem abriu a noite foi o Punk veterano do Inocentes. Fazia tempo que não os via e ouvia ao vivo. Apesar do set curto (banda de abertura neste evento) e de problemas com o som, a banda fez um set correto, eficiente e na cara, como sempre, com a experiência de quem está na estrada a quase 30 anos! A geração jovem presente ao show, agitou, pulou, pogou, respeitou e cantou junto todas as músicas com Clemente e companhia. Logo de cada, abriram com Rotina, um tapa na cara de todos logo no começo! Garotos do Subúrbio, Expresso Do Oriente entre outros clássicos. Das clássicas das clássicas, faltou Pátria Amada, não sei porque. Em off, entre nós, o primeiro vídeo clipe que assisti na minha vida, quando eu ainda era criança, foi o de Pátria Amada no programa Som Pop na TV Cultura, apresentado pelo Kid Vinil. Quem bom que eles estão na estrada com tudo ainda, sem terem caído na “rotina”.
Bem a banda principal era o Pennywise, pela segunda vez no Brasil. E detonaram! Seu nome foi tirado de um palhaço criado por Stephen King, o Pennywise. Divulgando The Fuse, foi ignorado no Brasil, bom senso da banda, pois além de não ter saído por aqui, em sua primeira apresentação em 2004, abrindo para o Bad Religion no Festival da finada 89 FM, seu set foi curto e comprometido pela tempestade. Então, dessa vez, foi só clássico do Hardcore Melódico californiano! Wouldn't It Be Nice. Os discos mais abrangidos neste show foram About Time e Full Circle. Ambos saíram por aqui e foram os mais vendidos da banda (e os melhores, até hoje). Aí vem uma atrás da outra:
Rules, Can't Believe It, My Own Country, Fight 'Till You Die, Straight Ahead, Peaceful Day, Fuck Authority, ufa! A esta altura de tanto pogar e o público aglutinado, estava insuportável ficar na casa. Nunca vi tanta gente fumando maconha junta, o ar estava enjoativo, estava demais. Sem entrar no mérito, mas, pra que levar maconha para fumar na hora do show? A banda demora 3 anos para vir ao Brasil e nas poucas uma hora e meia de show, que o pessoal resolve fumar? Tem o resto dos próximos três anos para usar o bagulho! Santa idiotice! O que teve de gente passando mal, que entupiu a enfermaria do local: metade passando mal pelo calor, a outra metade, pirada, na loucura mesmo, beirando overdose. Voltando, entoa-se por parte da banda um Fuck Bush, bem vindo entre a galera! A cover desnecessária do Ramones, Blitzkrieg Bop. Depois, Pennywise, Society, Every Single Day e etc. O auge foi Same Old Story, que tem clipe exibido a exaustão no Brasil na época que atual Merda Television (a antiga MTV) tinha um programa há doze anos atrás chamado Gás Total, onde metade do programa era Metal e a outra metade era Punk/Hardcore. Que saudade... Não lembro onde li ou ouvi, mas um cara escreveu ou falou algo assim: (sic) “este show fez lembrar da época que os CDs da Epitaph eram comprados que U$1,00 valia R$1,00, camiseta do Black Flag era da banda e não só marca de roupa, e que Emocore era bandas como Mineral e Sunny Day (Real State). Que saudade...3 Ô resenha nostálgica essa...
ASIA – Credicard Hall/SP – 23/03/2007.
Texto: Adriana Dark. Foto: Júlio César Bocáter.
O veterano quarteto de AOR e Progressive Rock este no Brasil. O Asia, que fazia um Prog mais comercial, tanto que tocava direto nas FM’s e hits em propagandas de cigarros e aquelas coletâneas típicas dos anos 80, era formada por uma constelação. Afinal em sua formação, nada menos do que John Wetton (King Crimson), Steve Howe (Yes), Carl Palmer (Emerson, Lake & Palmer) e Geoff Downes (Buggles – lembrando que ele junto com John também formara o Wetton/Downes). O set, além de músicas do Asia, também contou com faixas de cada uma destas bandas anteriores destessenhores. Tocaram In The Court Of The Crimson King (King Crimson), Roundabout (Yes – com Wetton cantando, esta foi destruída), Video Killed The Radio Star (The Buggles) e a longa, épica, progressive, imortal, clássica e fantástica Fanfare For The Common Man (Emerson, Lake and Palmer). Do Asia, abriram com Time Again, seguida de Wildest Dreams e no final do set, os hits (e por que não, clássicos também?) Only Time Will Tell, Sole Survivor e Heat Of The Moment. Enfim, uma noite marcante para quem viveu a época!
BLIND GUARDIAN – Via Funchal/SP – 17/02/2007.
Texto e foto: Júlio César Bocáter.
Choveu, e ainda bem! A tradição está mantida, chovendo em quase todos os shows na capital de SP (afinal é a terra da garoa ou não é, porra!). Pela terceira vez no Brasil, a banda definitivamente está no topo das principais banda de Heavy Metal por aqui. O Blind Guardian subiu ao palco pontualmente às 22 horas, com a introdução War Of Wrath, seguida por Into The Storm, já mais do que clássica.
A voz de Hansi Kürsch estava baixa, e demorou para o som equalizar por completo. Os guitarristas André Olbrich e Marcus Siepen trocavam de lado e Hansi já toma mais forma de frontman, visto que ele largou o baixo para só cantar apenas em 98 (pois, segundo o mesmo, estava ficando cada vez mais complicado cantar e tocar cada vez mais passagens mais elaboradas e virtuosas). E Hansi inova, pois inventou uma postura de palco, simples, mas que ainda eu não havia visto. Ele bangueia, com as duas mãos apoiadas em cima de um de seus joelhos. Alguma coisa diferente do que apenas colocar o pé em cima do PA apenas. O baixista Oliver Holzwarth, substituto de Hansi no instrumento, continua discreto, praticamente atuando como um músico contratado apenas. O baterista Frederik Ehmke é preciso e tem uma baita de uma pegada, não deixando saudades ao antigo batera desertor Thomas Stauch. Completando, Michael Schüren nos teclados. Voltando ao show, Born In A Mourning Hall, e a uníssona Nightfall. Se o público já estava em delírio, quando Hansi anunciou The Scrip For My Requiem do Imaginations From The Other Side, o frisson foi geral! Das novas, veio Fly. Para arrepiar, Valhalla, que teve seu refrão bradado por todos, um verdadeiro hino. Depois dessa, começou o espetáculo de agradecimentos de Hansi ao público brasileiro. Seguindo, Time Stands Still (At The Iron Hill) e And The Story Ends, mais uma do Imaginations From The Other Side. Poucas foram executadas do recente A Twist In The Myth e faltou a bárdica, medieval e pagã Skalds And Shadows (se eles a tocassem, seria mais um hino entre tantos dos bardos alemães). Depois, o hit mor por aqui, Bright Eyes e seguida dos 14 minutos de And Then There Was Silence. Épica e apesar de ótima, tirou umas três outras músicas que poderiam ter sido tocadas. Depois, a própria Imaginations From The Other Side, seguida da emocionante The Bard’s Song – In the Forest. Para fechar, a Power Speed Metal Melódico Mirror Mirror. Mas não terminara ainda. Hansi convidou ao palco Edu Falaschi e Felipe Andreoli do Angra, para tocarem Barbara Ann, cover dos Beach Boys, gravado em Follow The Blind. Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, torcida brasileira. Todos ganham, ninguém perde! E cada passagem por aqui, a legião de bardos cresce cada vez mais!
ARCH ENEMY – Via Funchal/SP – 01/02/2007.
Texto e foto: Flávio da Silva Santiago.
Seria mais uma típica noite de quinta feira, senão fosse marcada pela primeira apresentação no país dos suecos do Arch Enemy, uma das melhores surpresas surgidas nos últimos anos na cena de Death Metal Melódico. O público fez a sua parte e encheu o Via Funchal, mas não lotou como esperado, talvez por se tratar de um dia de semana, mas independente disto quem foi ao show não se arrepende do que viu.
A banda responsável pela abertura do show dos suecos foi o Ungodly, banda baiana e com um futuro promissor na cena metal nacional, fizeram um show rápido e direto ao ponto com riffs poderosos e uma sonoridade extrema que agradou aos fãs que aindachegavam ao Via Funchal, parabéns ao Ungodly.
Por volta das 22 horas as luzes se apagam e a música de introdução do show é tocada, os fãs ensandecidos gritam incessantemente o nome do Arch Enemy, logo pode se ouvir os primeiros acordes de Nemesis, música do último álbum Doomsday Machine, mas algo parecia faltar, e eis que surge Angela Gossow, empunhada de um microfone e com um vocal único, fez o Via Funchal vir abaixo. A banda como um todo é muito competente em palco e com uma técnica impressionante, mas o que mais se ressalta é a performance de Angela, que não para de se movimentar por um minuto e que tem o total controle sobre os fãs. Seu carisma e agressividade em cantar cada composição da banda é algo realmente impressionante. O set da banda privilegiou todos os trabalhos da banda até seu recente álbum, destaque para as musicas Dead Eyes See No Future, Diva Satanica, I Am Legend/Our For Blood e Hybrids Of Steel.
O show foi marcado tanto por solos de bateria como de guitarras, demonstrando extrema virtuose dos membros da banda. Com uma duração média de uma hora e meia de show, o show foi encerrado com um dos maiores hits da banda We Will Rise. Após o término do show os membros da banda fizeram questão de agradecer ao publico presente e presenteá-los com baquetas e palhetas. Sem duvida um show inesquecível e sério candidato a um dos melhores deste ano. |