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RU – Como a banda foi formada?
Slanderer – Após ficar por um bom tempo sem se envolver com banda, em 2003 então fui ao encontro de outros caras que pudessem empunhar a velha bandeira da música underground e marginal. Começamos neste período a fase embrionária da banda, ainda sem nome, começamos os primeiros ensaios. Com a entrada de Jr. Massacre no baixo, batizamos nossa empreitada de UNBORN, e a moldar em conjunto nossos objetivos e direcionamento rumo ao submundo extremo. Como é natural em praticamente em todas as bandas, tivemos em curto espaço de tempo a saída de dois membros originais e fundadores, nos deixando uns pepinos para descascar, que foram à gravação da primeira demo e alguns shows fora da cidade que tivemos que cancelar. Mas, besteira pouca é bobagem! Nos últimos anos Massacre já havia assumido a guitarra, e sempre contamos com a paciência de alguns amigos para segurar o baixo ao vivo. Com a saída do batera, hoje também contamos com o suporte de um brother, que o Bruno da banda Mortos. Com ele já fizemos uma série de shows, nossa dinâmica melhorou bastante no que diz respeito ao processo de composição. De qualquer forma, cheguei à conclusão que a banda está sempre se formando... mudando, transformando algo, experimentando, indo e depois voltando aos princípios de alguns idéias bobas que ficaram lá atrás. Desejo que não atrofiamos - que estejamos sempre em formação!


RU – Fale dos trabalhos lançados.
Slanderer – Antes de lançar oficialmente nossa primeira demo, participamos de 2 coletâneas promovidas por zines no segundo semestre de 2007. A primeira foi da Visão Underground, volume 03, com a tiragem de 1.000 cópias. Na seqüência a iniciativa veio dos peruanos do Headbanger zine, onde figuramos a edição 09, sendo 666 cópias numeradas a mão. Em ambas participamos com a música The Fall Of The Ideology, onde a letra é co-autoria de um velho amigo nosso, o Amaudson Ximenes da veterana banda Obskure. Em 2008 então lançamos nosso primeiro cd-demo, chamado Dogmas Massacra, com 04 faixas, além de uma intro narrada por Beelzeebubth do Mystifier. Ele recitou a poesia Invictus do poeta inglês William E Henley. Curiosamente, Tim McVeigh que foi condenado à morte pelo atentado com bombas que resultou na morte de 168 pessoas, deixou trecho do poema em sua cela. É importante ressaltar que a masterização ficou a cargo de Fabiano Penna, guitarrista do The Ordher. Com o trampo dele, conseguimos dar uma finalização mais pesada à gravação, além da sujeira que nutrimos quanto a este tipo de produção. E para fazer jus ao conceito abordado e proposta de Dogmas Massacra, contamos com o fenomenal trabalho de arte do design Alcides Burn, que já assinou trampos de banda como Headhunter DC, Acheron, Torture Squad. Quanto à distribuição contamos com o suporte do selo sul-coreano Infernal Kaos Productions para alguns países da Europa e com maior ênfase na Ásia. Já no Brasil e para alguns lugares da América do Sul, a distribuição ficou a cargo do selo Moutains Distro. Recentemente a UnderMetal Records do Peru pegou algumas cópias de Dogmas Massacra para espalhar nossa peste sonora também por lá.

RU – Fale da cena de sua cidade.
Slanderer – Imperatriz do Maranhão é a segunda maior cidade do estado do Maranhão e estamos bem afastados das grandes cidades, até mesmo da nossa capital, a quase 700km de distância. Com isso, nós últimos 16 ou 18 anos, pouca coisa existia por aqui para chamarmos de cena... Todavia, coincidência ou não, com a popularização da internet, o público nos shows aumentaram consideravelmente, e o que é melhor, vêm se mantendo numa média razoável. Por aqui já passaram bandas como Torture Squad, Subtera e Dominus Praelii (entre outras tantas), que deram um ânimo a mais na geração mais nova e mostraram que o Metal Underground é algo sério e que no final das quantas, maturidade é importante para se manter headbanger. Graças aos infernos, uma boa parcela da “cena” entendeu a coisa toda e estão buscando, dentro de suas possibilidades, o contato com o cenário mundo afora, buscando ouvir bandas novas e velhas. De bandas, além do UNBORN, temos dos nossos brothers do Mortos, que praticam um puta Death Metal. De outros amigos, cito o Narcan, que estão aos poucos se estabilizando e logo devem registrar algum material. Aliás, o guitar desta banda é o velho Walcir, que integrava em Teresina/PI o Terra Podre... pra quem é envolvido no subterrâneo barulhento, deve ter conhecido ou ouvido falar da banda. Há algumas outras bandas que ainda estão se moldando... Obviamente ainda há muitas coisas para ser constituídas, mas aos poucos um cenário vai se fazendo, inclusive com advento de uma loja especializada em roupas e acessórios, estúdio de tatuagem, shows sem brigas e uma pá de mulheres nos eventos... a coisa toda tá ficando melhor (risos).


RU – Fale sobre planos no futuro.
Slanderer – Estamos em fase de composição de sons que vão integrar nossa segunda demo. O processo está bem adiantado e já temos o tema base que iremos explorar, que na verdade é a mesma merda de sempre... religião, sociedade, mídia, política. Apenas colocamos um molho de insanidade e sexo nisso tudo, um dedo na ferida, com ares de pedofilia. O objetivo também neste trabalho é aumentar o leque de distribuição, abrangendo mais países da América do Sul e, conseqüentemente, conseguir fazer alguns shows para os maníacos bangers espalhados por aí. Devemos integrar também mais duas coletâneas. Estes lançamentos devem acontecer no primeiro semestre de 2009. Se o senhor dinheiro permitir!


RU – O final é seu!
Slanderer – Já conhecia o trabalho do Rock Underground e a iniciativa louvável de suporte as bandas brazucas, o que resulta na continuidade das publicações alternativas. Por isso é importante abraçar esta idéia e nos agradecemos o espaço ao UNBORN. Aos leitores insanos por música suja e extrema, convido acessar www.myspace.com/unbornbrazil para conhecer um pouco mais sobre nossa proposta e mantenham contato através do e-mail info@unborn.com.br. Stay Evil Underground Music!