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RU – Como a banda foi formada? Para apresentar a mesma aos novos leitores que ainda não a conhecem.
Ricardo Caulfield – O Vilipêndio começou como projeto, juntando eu, o Marcio Bukowski (na guitarra e baixo) e Alexandre Salinger na bateria. Era uma formação que tinha como objetivo gravar musicas que mesclassem punk, metal e hardcore e letras em português. As letras eram um quesito bem importante porque foram criadas para chocar e, ao mesmo tempo, como tinham um componente poético, não soavam como a maioria das letras punks, que são mais diretas, ou as de metal, que são em inglês. Gravamos, com esta formação (eu gravei os vocais e também a guitarra-solo), o CD 15 ABISMOS, que saiu em 2002. E considero que foi a partir de 2002 que realmente nos tornamos uma banda, com a entrada de Marcelo Ramiro (para o baixo), Thiago Sobral (na guitarra-solo) e do Nilson Guimarães (para bateria). Eles se juntaram a mim(que fiquei só nos vocais) e ao Marcio, assim começamos a fazer shows. Por isto, é que considero este o marco-zero do Vilipêndio. Como projeto, nos anos anteriores, não havia apresentações ao vivo. Com estes integrantes citados, gravamos "UM SEGUNDO DE GLÓRIA", que foi lançado no ano passado(2007). Atualmente, a banda está sendo reformulada, dos integrantes anteriores, estamos eu e o Alexandre Fersan, baterista incrível que está conosco desde 2006. São bastantes reviravoltas que podem ser conferidas no site www.vilipendio.com, lá listamos todas as mudanças de formação. Atualmente, mesmo antes de reformular o grupo, já estamos gravando um novo trabalho, eu e o Alexandre Fersan.
RU – Afinal, por que Vilipendio?
Ricardo Caulfield – Vilipêndio significa ofensa, menosprezo. O nome resume a atitude de liberdade para criar e fazer um som que seja diferente. Hoje existem muitas bandas iguais, em diversos gêneros, mas poucas soam como nós.
RU – Qual o estilo da banda propriamente dito? Hardcore, Metal, Rock’n Roll?
Ricardo Caulfield – Talvez seja MPB (Metal Punk Brasileiro)!!!!!! Acho que temos pontos em comum com o metal e o punk, o hardcore, e também um certo acento rock em algumas músicas. O importante é que as músicas têm um certo ponto em comum, que é um clima sarcástico e caótico, barulhento. Isso existe tanto na nossa faixa mais punk quanto na que soa mais como heavy metal. Ninguém vai ouvir e achar que estamos atirando para todos os lados. A banda precisa de liberdade.Hoje existem muitos subestilos, mas acho que isso é um pouco forçado para conquistar um segmento específico de público. O compositor não pode ficar se reprimindo e dizendo "ah, isso soa muito black metal e nós somos hardcore". Se eu pensar que soa como Vilipêndio é o que importa para que a música entre no repertório. O rock já foi mais livre. Veja o Led Zeppelin, um exemplo: gravou rock, folk, blues, progressivo. A mesma coisa com Stones, Rush, etc
Hoje está muito restrito, se a banda for thrash, tem que se thrash o tempo inteiro. Se for punk, a mesma coisa. O Vilipêndio é uma banda independente e toca aquilo com que se identifica. Eu sempre ouvi punk, metal, hardcore, thrash, então é normal incluir essas coisas como parâmetros de composição. Seria estranho se gravássemos uma balada ou um hard rock, porque fugiria ao sentimento da banda (apesar de eu ate´gostar também de várias coisas do gênero).
RU – Qual é a atuação atual da banda?
Ricardo Caulfield – Eu (vocal) e o Alexandre Fersan (bateria), por enquanto, somos os "garantidos". Pode até ser que o novo disco seja gravado só por nós (comigo na guitarra e no baixo). Contudo, espero, em breve, já poder apresentar novos integrantes. Por não querermos ficar mudando é que estamos escolhendo com calma.
RU – A banda já sofreu várias mudanças de formação. Você seria o líder e o único membro fixo da banda, ou as mudanças pararam por aí?
Ricardo Caulfield – Líder, sou por acaso. Acho que me tornei por ser a pessoa que tocava as coisas para frente. Sobre as mudanças de formação, por mim, não aconteceriam. Houve muitas mudanças, mas até a presente data, o Marcio (guitarrista e baixista) havia participado de todos os shows e o Thiago (guitarrista) tocou em 80 por cento deles. Houve muitas mudanças, mas com muitas saídas e voltas dos mesmos integrantes. Então apesar das reformas na formação, não tivemos tantos músicos diferentes conosco. Acho que a mudança mais profunda é esta, a atual, com a saída do Márcio e do Thiago. Então, estamos demorando a conseguir novos integrantes, mas com certeza a meta é encontrarmos gente que toque bem e seja interessada. A idéia NÃO é de eu ser o cara fixo e os outros ficarem variando. Queremos gente que sue a camisa pelo time!
RU – Fale de todos os trabalhos lançados pela banda até aqui.
Ricardo Caulfield – O 15 ABISMOS (de 2002) é uma soma de hardcore e metal, com as guitarras supersaturadas e letras muito agressivas, acho que é um dos discos mais radicais e amargos lançados no Brasil! Já o UM SEGUNDO DE GLÓRIA soa menos metal, com mais influência punk e as faixas são mais diretas, assim como a produção ficou melhor, mais clara. O primeiro CD é uma espécie de tratado, um protesto musical, e o trabalho posterior é como a soma da experiência qeu obtivemos nos shows da divulgação de 15 ABISMOS. A meta é misturar a agressividade do primeiro com a melhor produção do segundo. Da estréia, eu destaco "De olhos bem abertos", "Olhos vermelhos" e "Crime Perfeito". De UM SEGUNDO, acho que "A História de João H", "A saga de um hospital público", "Não existem acidentes" e "Anestesiado" são destaques.
RU – O que mudou na cena carioca desde nossa última entrevista de 2005?
Ricardo Caulfield – Não foi muito coisa. Naquela época havia o Garage, hoje ele está fechado. Era um grande espaço do underground do Rio, até o Exodus, com Paul Balloff, tocou lá (e eu vi!). O Vilipêndio tocou lá inúmeras vezes. Outros espaços também fecharam. O Rio não tem um território poderoso como é a Galeria do Rock, em SP, que reúne centraliza tudo. De positivo é que a onda emo está mais fraca. Pelo menos, é o que eu acho.
RU – Como a banda está lidando com as novas tecnologias, sites, Orkut, myspace, etc.?
Ricardo Caulfield – Temos myspace, orkut, essas coisas, mas podem ser incrementadas. Vamos inaugurar um site novo, com material inédito, em 2009. Aos poucos vamos pegando o fio da meada. A meta é até disponibilizarmos faixas inéditas, músicas ao vivo, e até algumas versões em inglês. Para 2009, também deve rolar um videoclip do grupo. O Youtube que se prepare!
RU – Você acha que esta tecnologia, está ajudando ou atrapalhando as bandas independentes?
Ricardo Caulfield – A tecnologia democratiza, por exemplo, no myspace, temos todo tipo de banda, as pequenas e as grandes. Por outro lado, muita gente não tem acesso ao computador. Além disso, não adianta haver um milhão de bandas na internet com um milhão de discos para serem baixados. É preciso divulgar o trabalho, para que se saiba da existência destes grupos. Falam muito em acabar com o Cd, mas tenho minhas dúvidas. O mp3 não tem a mesma qualidade de um arquivo de som de CD. E, além disso, o mais importante é pensarmos em como as pessoas vão lançar sua música. Será que, ao invés de 12 faixas de dois em dois anos, estaremos preparados para consumir uma música nova a cada dois meses? Acho que essa é uma pergunta interessante. Talvez as bandas comecem a divulgar cada faixa separadamente, uma por uma, e, só depois, lancem um suporte fisico (um Cd ou Smd). Estamos assistindo a um processo. Minha única certeza é que a música não vai morrer. E pode ser que os artistas ainda consigam se tornar mais senhores de seus trabalhos. Seria muito justo.
RU – A banda é politizada. Qual a atitude a se tomar já que este ano é de eleições?
Ricardo Caulfield – Acredito que votar é uma responsabilidade e tanto. E acho também justo que alguém queira anular o voto diante de candidatos que não inspirem a confiança. Votar ou anular, tudo é válido, só não concordo com o tal "voto útil", quando alguém vota em um candidato com que não concorda apenas para que outro não seja eleito. Particularmente, procuro políticos que, pelo menos aparentemente, acreditem em causas sociais, com investimentos em educação e também em direitos de cidadania e meio ambiente. Geralmente aqueles que aparecem falando só em equipar polícia, proteger o cidadão, são justamente os mais conservadores, que acham que o mais importante é a repressão. Segurança é importante, mas um político tem que ter uma visão mais humanista. Fujo dos políticos reacionários e conservadores que falam somente o que o povo quer escutar (e eles descobrem através de suas equipes, fazendo pesquisa de opinião).
RU – O final é seu!
Ricardo Caulfield – Valeu pela força, acompanhem o Vilipêndio em www.vilipendio.com e saibam mais de um grupo que não segue modismos! O Vilipêndio não está procurando ser a nova sensação disto ou daquilo, nossa vocação é o underground. A proposta é cantar em português e contribuir para que o nosso som seja bem representativo do caos brasileiro. Então, nos procurem no orkut, myspace e tudo mais! |
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